Seu produto aparece na imagem, mas ele entra na vida de quem olha?

Atualizado: 19 de set.
Quando pensamos em fotografar um produto, é muito comum começar pela pergunta mais imediata: onde vou colocá-lo? Escolhemos um fundo, procuramos uma luz bonita, organizamos os objetos ao redor e tentamos fazer uma boa fotografia. Contudo, existe uma pergunta anterior que pode mudar completamente o resultado:
Em que situação meu cliente gostaria de se imaginar com esse produto?

Parece uma diferença pequena.
Não é.
Uma joia fotografada sobre um fundo neutro pode mostrar com precisão sua forma, sua textura, seu acabamento. E isso pode ser exatamente o que a imagem precisa fazer naquele momento. Mas quando essa mesma joia aparece no corpo de uma mulher, combinada a uma roupa, a um gesto, a uma determinada luz, outras informações começam a surgir. Já não vemos apenas a peça. Começamos a imaginar quem poderia usá-la. Em que ocasião. Com que roupa. Talvez até que tipo de mulher escolheria aquele objeto para si. A imagem começa a construir uma possibilidade.
E isso vale para quase tudo.
Uma cerâmica sobre um fundo branco nos permite observar o objeto. A mesma peça sobre uma mesa preparada para um almoço conta outra história. Um caderno pode ser apenas fotografado. Ou pode aparecer aberto sobre uma mesa de trabalho, ao lado de um lápis, sugerindo concentração, criação, pausa.
Para quem trabalha com um serviço autoral, o princípio também funciona. Em vez de mostrar apenas a profissional olhando para a câmera, podemos mostrar pequenos fragmentos da experiência: o espaço preparado, os materiais escolhidos, um gesto durante o atendimento, aquilo que ajuda alguém a imaginar como seria estar ali.
Não significa que toda fotografia precise contar uma grande história. Significa apenas entender qual é o trabalho daquela imagem. Antes da próxima foto, experimente definir três coisas.
O contexto: onde aquilo que você oferece entra na vida do cliente?
A sensação: o que você gostaria que ele sentisse ao olhar?
E a estética: que luz, cores, objetos, enquadramento e composição ajudam a tornar essa sensação visível?
É aqui que uma imagem deixa de ser somente uma forma de apresentar alguma coisa e passa a participar da construção de valor da marca. E sim, ela precisa ser bonita. Mas beleza, sozinha, não resolve tudo.
Uma imagem bonita pode nos fazer parar por alguns segundos. Uma imagem coerente com aquilo que a marca é e com aquilo que deseja significar ajuda a construir reconhecimento, desejo e memória. Talvez, então, antes de perguntar “como vou fotografar meu produto?”, valha experimentar outra pergunta:
“Como quero que alguém se imagine diante dele?”
A resposta pode mudar a fotografia inteira.
Se essa reflexão fez você olhar de outro modo para as imagens da sua própria marca, esse pode ser um bom momento para transformar percepção em direção. O Diagnóstico de Percepção de Marca da Curadoria Concierge é um primeiro olhar estruturado sobre o que sua comunicação já transmite, onde o valor da marca pode estar se perdendo e o que pode ser aprofundado sem descaracterizar aquilo que você já construiu.
Glauce Gabry é Arte/Educadora, Artista Visual e Pesquisadora da Imagem como linguagem.




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