Sua marca conta uma história, mas existe lugar para o cliente nela?

O que muda quando a marca deixa de falar apenas sobre si e cria espaço para o cliente se imaginar em sua história?

Toda marca conta alguma coisa.
Pela fotografia, pelas palavras, pela embalagem, pelo cenário e até pela maneira como atende.
É comum encontrarmos marcas falando sobre suas origens, seus processos, a qualidade dos materiais e o cuidado envolvido na produção. Tudo isso importa, mas existe uma diferença entre contar a história da marca e construir uma história da qual o cliente queira participar.
Em Brand Storytelling, Miri Rodriguez propõe colocar o cliente no centro da narrativa. A marca não precisa assumir sempre o papel do herói. Pode ser como Robin, que acompanha Batman, apoiando o verdadeiro protagonista em sua jornada. Isso não diminui a importância da marca. Apenas transforma o lugar que ela ocupa na vida das pessoas.
A pergunta deixa de ser apenas “O que queremos contar sobre nossa marca?” e passa a incluir “O que queremos que alguém imagine ou experimente ao entrar em contato com ela?”
Uma xícara pode explicar isso
Imagine uma marca de cerâmica apresentando uma xícara sobre fundo neutro, acompanhada da descrição: peça artesanal produzida à mão em cerâmica de alta temperatura.

Temos o produto e suas características.
Agora imagine essa mesma xícara sobre uma mesa pela manhã.
A luz entra pela janela, há um livro aberto e uma cadeira ligeiramente afastada.

Não precisamos mostrar ninguém. Ainda assim, conseguimos imaginar uma pessoa ali.
Pode ser um café antes de começar o dia.
Alguns minutos de silêncio.
Uma manhã sem pressa.
A xícara não mudou, o que mudou foi sua apresentação.
O produto passou a fazer parte de uma experiência que alguém reconhece ou deseja viver. Isso não significa abandonar fotografias sobre fundo neutro. Elas revelam detalhes, materiais e acabamentos. Já as imagens contextualizadas ajudam o cliente a imaginar o produto em sua própria vida.
Cada escolha tem uma função.
É nesse ponto que narrativa e percepção de valor começam a se encontrar.
A maneira como apresentamos um produto influencia aquilo que as pessoas conseguem perceber sobre ele. Quando uma marca escolhe conscientemente as experiências que deseja comunicar, também começa a construir seu posicionamento. E essa narrativa não está apenas nas fotografias ou legendas. Ela aparece na embalagem, no ambiente, no atendimento e na experiência de receber o produto. Uma marca que deseja comunicar cuidado precisa tornar esse cuidado perceptível. Quando essas escolhas apontam para a mesma direção, a narrativa deixa de ser apenas aquilo que a marca diz sobre si. Ela passa a ser percebida.
Um pequeno exercício de percepção
Escolha uma fotografia recente da sua marca.
Observe por alguns segundos, sem ler a legenda, e responda:
1. Quem ocupa o centro da comunicação: a marca, o produto ou o cliente?
2. O que essa imagem permite que alguém imagine vivendo ou sentindo?
3. Sem a legenda, ela comunica a experiência que você deseja associar à sua marca?
Talvez você descubra que sua fotografia apresenta muito bem o produto, mas ainda não oferece um contexto no qual o cliente consiga imaginá-lo em sua vida. Ou perceba que aquilo que deseja comunicar já aparece intuitivamente nas suas escolhas, mas ainda precisa de uma direção mais consciente.
Esse pequeno exercício não resolve toda a comunicação, mas ajuda a perceber algo importante: uma marca pode dedicar muito cuidado ao que produz e, ainda assim, não conseguir tornar esse cuidado visível para quem está do outro lado.
Talvez sua marca não precise contar mais histórias.
Talvez precise construir histórias nas quais alguém queira entrar.
O Diagnóstico Estratégico de Percepção da Curadoria Concierge ajuda a observar como sua marca se apresenta, identificar possíveis distâncias entre o valor que entrega e aquilo que consegue transmitir e encontrar uma primeira direção para agir.
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Referência
RODRIGUEZ, Miri. (2024). Brand Storytelling: coloque o cliente no centro da história da sua marca. São Paulo: H1 Editora.
Glauce Gabry é Arte/Educadora, Artista Visual e Pesquisadora da Imagem como linguagem.




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